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Trovadorismo (1198 – 1434)

Período que engloba a produção literária de Portugal durante seus primeiros séculos de existência (séc. XII ao XV). No final da Idade Média, a religiosidade se apresenta como aspecto marcante da cultura portuguesa. A vida do homem medieval é totalmente dominada por valores religiosos e voltada para a salvação da alma. Nesta época ocorreram as cruzadas, expedições realizadas com o principal motivo da libertação dos lugares santos. As artes tiveram como tema motivos religiosos. Tanto a pintura quanto a escultura procuravam retratar cenas da vida de santos ou episódios bíblicos. Quanto à arquitetura, o estilo gótico é o que predominava, através da construção de catedrais enormes e imponentes, projetadas para o alto, à semelhança de mãos em prece tentando tocar o céu. Na literatura, desenvolveu-se a poesia em forma de cantigas, geralmente com acompanhamento de instrumentos (alaúde, flauta, viola e gaita etc.). As cantigas eram cantadas no idioma galego-português e dividem-se em dois tipos: líricas (de amor e de amigo) e satíricas (de escárnio e mal-dizer). As características das cantigas são:

Líricas
Cantigas de amor: O eu-lírico é masculino e o autor é geralmente de boa condição social. É uma cantiga mais " palaciana ", desenvolve-se em cortes e palácios.

Cantigas de amigo: As cantigas de amigo apresentam eu-lirico feminino, embora o autor seja um homem. Procuram mostrar a mulher dialogando com sua mãe, com uma amiga ou com a natureza, sempre preocupada com seu amigo (namorado).

Satíricas
Cantigas de escárnio: Apresentam críticas sutis e bem-humoradas sobre uma pessoa que, sem ter nome citado, é facilmente reconhecível pelos demais elementos da sociedade. Trata-se de uma crítica indireta e irônica.

Cantigas de maldizer: Neste tipo de cantiga é feita uma crítica pesada, com intenção de ofender a pessoa ridicularizada. Há o uso de palavras grosseiras (palavrões , inclusive) e cita-se o nome ou o cargo da pessoa sobre quem se faz a sátira. Sendo assim uma crítica direta e mais grosseira.

Durante este período também floresceu um tipo de prosa ficcional, as novelas de cavalaria. Esta prosa ficcional e medieval retrata com mais detalhes o ambiente histórico-social desta época. A temática das novelas medievais está ligada à vida dos cavaleiros medievais e também à religião.

Elas estão divididas em três ciclos e se classificam pelo tipo de herói que apresentam. Assim , as que apresentam heróis da mitologia greco-romana são do ciclo Clássico (novelas que narram a guerra de Tróia, as aventuras de Alexandre, o grande); as que apresentam o Rei Artur e os cavaleiros da Távola Redonda pertencem ao ciclo Arturiano ou Bretão (A Demanda do Santo Graal); as que apresentam o rei Carlos Magno e os doze pares de França são do ciclo Carolíngeo (a história de Carlos Magno).

Geralmente, as novelas de cavalaria não apresentam uma autoria. Elas circulavam pela Europa como verdadeira propaganda das Cruzadas, para estimular a fé cristã e angariar o apoio das populações ao movimento. As novelas eram tidas em alto apreço e foi muito grande a sua influência sobre os hábitos e os costumes da população da época.